segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Snowy - Capítulo I - Sample

Olá pessoal! Tudo bem?! Para quem me acompanha sabe que eu estava até o início do ano tentando terminar de escrever um romance. Por fim consegui! Segue aqui para vocês um pedaço do primeiro capítulo. Espero que gostem.... Comentem por favor, dêem sugestão... quero saber a opinião de vocês. Boa leitura!

"Los Angeles. Março de 2010.
            Os sonhos de Sophia tornavam-se cada vez mais freqüentes. A cena era sempre a mesma. Mas nunca os contou a ninguém, não conseguia entendê-los e nem mesmo saberia dizer se teria algum significado.
Tinha 23 anos, pele muito branca e olhos azuis, magra. Morava sozinha em um apartamento pequeno e simples. Não fazia questão de ter muita coisa, passava pouco tempo dentro de casa. Seu quarto era simples, com poucos móveis e objetos. Sua sala mais parecia um escritório, tinha um sofá de dois lugares marrom, em frente a mesa de cedro com o notebook e uma luminária. Ao lado, uma estante de madeira escura, no meio, uma televisão e toda uma estante lotada de livros, de biologia e todo tipo de romances.
Sophia morava sozinha desde que foi para a universidade, há cinco anos. Mudou-se para Los Angeles para cursar Biologia. Ela amava mexer com plantas. Esperava conseguir criar um espaço para cultivar flores e ervas. Apesar de alegre e animada, quase não saía e vivia em função dos estudos, estava começando a pós-graduação em Botânica. Às vezes saía para curtir com as poucas amigas que fizera durante a faculdade e Anna, sua melhor amiga desde a época de colégio. Anna também a mesma idade, pele clara, cabelos e olhos negros. Era muito bonita e dividia seu tempo entre a faculdade e a academia. Tal como Sophia também estava na pós-graduação com bolsa, mas era mais relaxada nesse sentido.
Como todo final de semana, as duas resolveram sair para comer alguma coisa no finalzinho da tarde. Sophia então pensou em contar a amiga sobre seus sonhos. Sentia uma necessidade imensa de conversar com alguém sobre isso. Poderia ser apenas uma bobagem.
- Ando tendo uns sonhos estranhos. Sonho sempre com o mesmo lugar. – disse Sophia despreocupadamente.
- Como assim com o mesmo lugar? Seus sonhos são sempre iguais? – perguntou Ana surpresa.
            Sophia contou sobre a floresta silenciosa e escura, com árvores muito altas que mal se podiam enxergar as suas copas. E que devido a isso a luz do sol não entrava. Raras eram as brechas as quais passavam alguma luminosidade e essas quando alcançavam o solo davam um ar nostálgico e mágico ao lugar. Contou também sobre a trilha de terra batida que parecia em desuso e pela qual ela sempre seguia. E todas as vezes que ela parecia chegar a uma espécie de clareira ouvia um grito, de dor e prazer ao mesmo tempo. E o grito era sempre o que a acordava no meio da noite. Quando terminou de contar viu que Anna a olhava com uma cara que parecia de divertimento e dizia:
- Amiga, acho que você anda estudando demais! – disse rindo.
- Deixa de ser boba! Tenho sonhado com isso já tem alguns meses. E não há uma única mudança neles... É tudo sempre igual!
- Quer saber o que eu acho? Você deve estar desejando morar no meio do mato! Ou então é a ansiedade em iniciar logo a pesquisa da pós. – Anna apenas comentou.
            Ambas riram e entraram na lanchonete. Anna era divertida. Sophia não negava que costumava estudar demais, mas daí a achar que seus estudos estavam provocando sonhos repetitivos, era demais. Saiu de seus pensamentos com sua amiga a sacudindo pelo braço para saber o que ela iria comer. Disse que queria o mesmo que a amiga, sem prestar muita atenção ao que ela dizia. Estava distraída pensando na floresta. Conversaram sobre a entrada no grupo e como estavam empolgadas, sobre expectativas e tudo que viriam com o fim da especialização.
- Sophia! Você já parou para pensar que esses seus sonhos podem estar relacionados à viagem que vamos fazer a trabalho? Sua floresta misteriosa pode ser nosso destino. Não será coincidência se a floresta do seu sonho for a mesma em que vamos trabalhar! – Anna falava como se tivesse matado a charada do sonho.
- Ai Anna, lá vem você com essas idéias loucas! E eu ainda te dou ouvidos! Vamos embora? – suspirou Sophia.
- Está bem, vamos. Vamos. – Anna respondeu chateada por não ser levada à sério.
            Saíram ainda discutindo o fato de Anna achar que a floresta do sonho de Sophia era o destino delas. Como sempre, o assunto começava sério e sempre terminava em brincadeiras entre as duas. Era impossível resolver algum assunto importante em pouco tempo. No estacionamento, cada uma seguiu para seu carro. Iriam se encontrar no dia seguinte na reunião.
            Ao chegar em casa arrumou algumas coisas, deixou seu material em ordem para não esquecer nada. Precisava chegar cedo para a reunião. Tomou um banho e foi se deitar. Estava cansada e logo pegaria no sono, não havia dúvidas quanto a isso.
Sonhou novamente. A floresta era densa, com muitas árvores altas, que ela não conseguia definir muito bem, mal podia ver suas copas. A luz que adentrava a floresta era escassa e rareava em alguns pontos, a deixando sombria, fria e úmida. Os poucos raios de sol que penetravam a imensidão verde pareciam fagulhas de luz de uma lanterna já enfraquecida pelo uso. Iluminavam entre os troncos dando um ar místico e emitindo uma luz fosca àquela floresta que parecia estar ali há milênios. Era surpreendentemente silencioso lá dentro, como se o tempo houvesse parado e não houvesse vida fora dela... E nem dentro. O único coração pulsante era o seu. O que isso significava? Embora tudo levasse ao medo por não saber o que poderia ser, a sensação era de calma, uma imensa e intensa paz interna. Tudo parecia estranhamente familiar como se ela pertencesse àquele lugar durante toda a sua vida. Era como se nada nem ninguém pudesse fazer algum tipo de mal, e esse local fosse uma espécie de proteção. Não parecia haver qualquer tipo de perigo. Continuar caminhando floresta adentro, isso era o que sua intuição a mandava fazer. Em um determinado ponto, a floresta se abria em uma trilha que parecia intocável, não havia nenhum tipo de marca na terra escura. Caminhar. Seguir a trilha. Era tudo o que conseguia pensar. Nada mais ao redor – dentro ou fora – daquela floresta importava. O som de seus pés andando com firmeza na terra úmida era deliciosamente reconfortante. A única coisa que conseguia se perguntar era o que estava fazendo ali. Não fazia sentido, mas ainda assim parecia ser a coisa certa a fazer. Para ela não parecia existir cansaço, sono ou mesmo fome. Era como se aquele lugar fosse mágico e as necessidades humanas não tivessem lugar ali. O que movia qualquer movimento ou pensamento era a energia da floresta.
De repente, um ruído a fez parar. Não era um simples farfalhar na relva, ou nos altos galhos das árvores. Foi um gemido. Um gemido gutural e muito nítido. Parecia um animal com raiva. Ela tentou correr, mas seu corpo não obedecia aos seus comandos. Os pensamentos fluíam cada vez mais rápidos, em uma resposta absolutamente contrária ao do seu corpo. O que estava acontecendo?! Há apenas um minuto atrás seu corpo dava os comandos e a mente simplesmente obedecia e agora, seu corpo estava paralisado enquanto a mente dava as ordens. Em vão. Pareciam desconexos.
Ouviu-se um grito, agudo, ao mesmo tempo de pavor e de prazer. Parecia tomar conta de toda a floresta e ao mesmo tempo não pertencer a lugar algum, como se aquilo tudo estivesse acontecendo em um lugar muito distante dali, a quilômetros e quilômetros de distância. Ela não entendia, mas o grito vinha de dentro de si. Era como se ela e o grito que saiu de sua garganta pertencessem um ao outro e ao mesmo tempo fossem distintos.
Sophia deu um pulo da cama. Estava molhada de suor e com o coração batendo aceleradamente. Foi um sonho. Ou melhor, um pesadelo. Mas parecia absurdamente real. Real demais para ignorá-lo. Olhou para o relógio e ainda eram quatro da manhã, lá fora havia apenas a escuridão da noite, com um fraco brilho das estrelas iluminando o imenso tapete negro que era a noite.
Sentou na cama, tentando se recuperar do susto, até sua respiração voltar a ficar regular. Mas sabia que não conseguiria dormir novamente, não enquanto o susto não passasse de vez. Levantou e foi até a cozinha beber uma água, tentar relaxar um pouco, quem sabe assim, dormiria novamente. Seguiu para o sofá, após tomar sua água de uma só vez, deitou e ficou observando a noite lá fora. O cansaço a fez dormir. Acordou com o celular apitando freneticamente. Era o despertador. Piscou uma, duas vezes, até seus olhos se ajustarem à claridade. O sol entrava pela janela iluminando toda a sala, Sophia olhou a sua volta e se deu conta de que tinha dormido no sofá. Levantou um pouco esbaforida e atrasada. Tomou um banho corrido, engoliu alguns biscoitos e tomou um copo de suco. Não queria chegar atrasada na primeira reunião." ...... 

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Link para a segunda parte: http://historiascoisaetal.blogspot.com.br/2017/12/snowy-parte-ii.html