quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Snowy parte II

Olá galera!!! Tudo bem com vocês?
Um tempinho atrás eu postei um trechinho (início mesmo) do livro que escrevi e que estou em busca de editora para publicar. Dai com o bom acesso à primeira parte decidi postar mais uma continuação.
No final dele tem o link para a primeira parte, caso você não tenha lido. Espero que gostem.
E aguardo comentários, pois estão são um termômetro para saber se está bom!

"O grupo era composto de seis alunos e mais o professor. Matt Torres era respeitado no meio acadêmico. Matt estava próximo dos seus quarenta anos, tinha o cabelo cortado curtinho de cor castanho claro, no verão chegava a um tom de dourado, já que aproveitava bem as praias californianas quando não estava trabalhando. Tinha olhos azuis e sempre se vestia de maneira informal. Uma das coisas que mais curtia eram suas pesquisas de campo. Apreciava isso e ficava feliz por sua profissão lhe permitir sentir essas coisas. A sua dedicação aos estudos o fez conseguir um cargo de professor titular de Botânica na Universidade, concluiu seu mestrado, e não havia muito tempo tinha obtido o título de Doutor.
A nova pesquisa seria interessante. E esta reunião seria a primeira de todas. Matt queria colocar todos seus alunos a par do que iriam fazer e deixar tudo absolutamente decidido para poderem iniciar o trabalho. Estava na sua sala pensando no rumo que sua vida havia tomado quando todos chegaram, aparentemente animados.
- Bom dia pessoal! Espero que essa primeira reunião seja produtiva e que possamos sair daqui com todos os ajustes do trabalho resolvidos! – Matt iniciou a conversa.
Continuou mostrando as fotos da flor nos slides explicando que a Mespilus Snowy começou a surgir em abundância na região em torno da cidade de Sacramento. Há alguns meses atrás ele tinha sido procurado por moradores da região. Nunca ninguém tinha visto esse tipo de árvore com essa floração por lá. E no último ano ela vinha surgindo em grande quantidade e cada vez mais para dentro da floresta. Matt então ficou curioso e foi até Sacramento para verificar. Notou que eram muitas árvores, de médio porte, na entrada da floresta. Não conseguiu tempo suficiente para entrar na floresta e conferir se estava no período de floração. Agora meses depois montou uma equipe confiável e competente e poderiam, então, partir para um estudo mais detalhado.
A flor era branquinha como neve, com cinco pétalas pontiagudas e o miolo bem amarelo. A árvore durante seu período de floração ficava abarrotada e totalmente branca, como se estivesse coberta de neve. A flor dava em pequenos buquês. Seu fruto tinha uma coloração vermelha chegando ao arroxeado quando ficava bem maduro. Era doce e bem disputado entre aves e animais de pequeno porte.
- Nosso objetivo, portanto, é ir até lá e colhermos amostras. Devemos estudar o motivo pelo qual ela está surgindo com maior incidência nesta região. – falou Matt, encerrando suas explicações.
- Então, vamos basicamente estudar e tentar desvendar a Snowy? Talvez uma mudança climática possa estar causando esse efeito? – Paul perguntou como que se certificando.
- Esse é nosso objetivo.
- Pode ser alguma espécie tida como extinta e que tenha voltado só agora? – perguntou Anna, com curiosidade.
- Sim e não. Pode ser uma espécie antiga como pode ser totalmente nova. Ou alguma mutação. Isso que vamos tentar descobrir. Os motivos são diversos como, por exemplo, mudanças ambientais. – explicou.
Matt contou que não poderiam partir de imediato, pois ainda faltava um mês para sua floração. Pediu para que todos estudasse o material disponível enquanto aguardavam. Explicou também que deveriam ficar aproximadamente duas semanas por lá, a princípio. Dispensou o grupo desejando bom estudo.
Pela internet conseguiram em pouco tempo criar uma ótima base de dados. Além de textos, arquivaram todas as fotos que conseguiram da flor e depoimentos dos moradores sobre o assunto.
            Sophia passou boa parte do seu dia organizando todos os seus arquivos e documentos. Tinha muito papel acumulado, não jogava fora nenhum material desde o início da graduação. Agora sentia necessidade de fazer uma faxina e deixar o mínimo possível, o que fosse importante, deixando em acesso mais fácil tudo o que fosse relacionado à botânica. Era incrível como em um mês o grupo todo estava bem conectado e como, também, conseguiram reunir uma boa quantidade de material.
Todos se alojariam num camping que ficava nos arredores da cidade, pois assim quando não estivessem na floresta poderiam analisar as amostras colhidas num local que lhes dessem estrutura para tal. O camping era conhecido pelos que gostavam de aventuras, trilhas e esportes do gênero. Era simples, seguro e além de uma ampla área externa, possuía uma boa estrutura.
Antes de desligar o notebook Sophia conferiu seus arquivos para se certificar de que tudo estava ali e que não tinha se esquecido de nada. Abriu uma das fotos da Snowy e ficou observando. Gostava daquela flor que parecia um floco de neve. Desligou o computador e antes de dormir, lembrou que precisava ligar para sua mãe no dia seguinte. Deixou um bilhete preso na porta da geladeira, onde dizia “Ligar para mamãe. Avisá-la de que estarei fora!”. E foi dormir.
Deitou, mas não dormiu de imediato. Ficou pensando na transformação pela qual sua vida tinha passado. Ela vinha de uma cidade pequena, no Estado da Geórgia. Tinha ido para Los Angeles para estudar. Só visitava seus pais quando estava de férias da universidade. Anna também era de lá, e ambas sempre faziam o mesmo ritual de visitar os pais no período de férias. Los Angeles se tornou para Sophia um objetivo, sentia como se fosse o lugar em que deveria estar e viver sua vida. Pensando nessas mudanças, acabou adormecendo. E sonhou novamente com a floresta.
Novamente estava lá. O mesmo silêncio, a mesma luz do sol entrando pelo meio das árvores e chegando escassamente ao chão, desta vez bem menos. As árvores tinham troncos grossos, suas folhas eram bem verdes. A trilha, de terra batida que sempre parecia intocável continuava lá, a chamando para segui-la. E ela, sem saber o porquê, a seguia. É como se fosse algo mais do que natural seguir aquela trilha. Mas, afinal, onde iria dar? Ela não conseguia nunca chegar ao fim. Será que existe um fim? Ou será que a trilha era circular? Mas o fato é que o silêncio aterrador não a assustava, pelo contrário, atraía.
Havia algo de diferente no ar, ela podia sentir. Neblina. Havia neblina e isso não era comum. Mas, mais do que isso havia uma tensão forte, densa e diferente do usual. Sophia continuou andando sem rumo. Sua sensação era de que aquele lugar era de alguma forma, sua casa. Mas ao mesmo tempo em que se sentia à vontade também se sentia amedrontada. Todo aquele silêncio começava a se tornar perturbador. Caminhando mais um pouco avistou um tronco caído próximo à trilha, cansada, decidiu sentar e observar o lugar onde estava. Era um tronco grande, grosso, coberto de musgo e estava úmido. Sophia sentou e ao passar as mãos distraidamente por aquele tronco fechou os olhos e sentiu a vibração que emanava dele. Era como se aquele tronco estivesse passando para ela sua história, ela podia sentir seus anos de existência e consequentemente de toda aquela floresta. Ficou sentada por um bom tempo. Estava distraída quando ouviu um barulho que parecia vir do interior da floresta. Parecia um farfalhar de galhos secos, como se alguém estivesse caminhando e pisando em galhos e folhas secas espalhadas pelo chão. Da mesma forma que ela ouviu o barulho, o mesmo parou. Sophia esperou um momento, não ouvindo nada retornou. No meio do caminho ouviu novamente um grito.
Sophia acordou assustada, diferentemente das demais vezes. Não estava suando e nem com medo. Depois de algum tempo ocorreram pequenas alterações, antes não havia ruído de passos caminhando na floresta, além dos seus. Olhou para o relógio, eram quase seis da manhã, como não iria mais conseguir dormir, levantou-se." (.....)
Gostou do trecho?  O ebook está disponível na Amazon (https://amzn.to/2H2QVji)

Link para a primeira parte: http://historiascoisaetal.blogspot.com.br/2016/11/snowy-capitulo-i-sample.html

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